quarta-feira, 22 de agosto de 2012

(Enquanto andava à procura dumas coisas que continuo a não saber por onde andam, encontrei um poema que o meu pai me dedicou em 1978 depois de eu ter passado uns tempos no Brasil. Diariamente escrevia-lhe descrevendo tudo o que ia vendo e sentindo....)



Não.
Não somos deste mundo.
Com os teus olhos
Vejo as belezas
Vejo as misérias
Dum Brasil
Com que sempre sonhei!
Bem hajas
Filha.
Sinto que apreendeste
Que sentes
Que vives
Que amas.
A minha vida
Não foi inútil.
Aprendeste a ver
(E a sentir)
Para além
Do fausto das casas senhoriais
A miséria
As favelas
E o Amor
Que se podia dar
E não dá.
Bem hajas
Minha Filha.

F.P.

27/10/1978

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MIL NOVECENTOS E SETENTA E QUATRO

Quebramos as grilhetas.
E quando sentimos
Ao Sol de Abril
O cheiro da LIBERDADE,
Portugal voltou a florir.
Queremos viver
Amar
Acreditar
No Futuro que nos espera.
Esquecer do passado
A dor e a Opressão
Mas não
A fome de LIBERDADE.
Caminhemos juntos
De mãos dadas
Como Irmãos.
Construindo a VERDADE.
Maio de 1974

sábado, 18 de agosto de 2012

Quem Sou

 Sou Rio
Sou Mar  
Sou Vento do Sul 
Sou Nuvem que passa 
Em tardes de Inverno 
Sou frio 
Sou cor 
Sou ave ferida 
Sou morte 
Sou vida 
Sou pedra caída (e muito pisada) 
Sou barro 
Sou rama 
Sou tudo 
Sou ... nada 
                                                                                                      F.P.