(Enquanto andava à procura dumas coisas que continuo a não saber
por onde andam, encontrei um poema que o meu pai me dedicou em 1978
depois de eu ter passado uns tempos no Brasil. Diariamente escrevia-lhe descrevendo tudo o que ia vendo e sentindo....)
Não.
Com os teus olhos
Vejo as belezas
Vejo as misérias
Dum Brasil
Com que sempre sonhei!
Bem hajas
Filha.
Sinto que apreendeste
Que sentes
Que vives
Que amas.
A minha vida
Não foi inútil.
Aprendeste a ver
(E a sentir)
Para além
Do fausto das casas senhoriais
A miséria
As favelas
E o Amor
Que se podia dar
E não dá.
Bem hajas
Minha Filha.
F.P.
27/10/1978


