domingo, 14 de outubro de 2012

QUERIDO AMIGO


Quisera
  há muito
Ter tido coragem para te escrever,
Mas não fui  capaz.
Hoje faço-o
Por um motivo.
Foste meu companheiro em  Coimbra
E eu a Coimbra
Muito devo.
Lá encontrei
Amizade,
Compreensão
E Amor.
Lá compreendi
Que vale a pena viver.
 Lá aprendi a ser Homem,
Sendo ainda criança.
A minha vida profissional
Levou-me para longes terras,
Onde me mantive
Quase três lustros.
Aí, o jovem era,
Amadureceu
Com o trabalho duro
No agreste, mas belo,
Nordeste Transmontano,
Barragem de Miranda do Douro
Tornando-se  adulto.
Lá me enriqueci
Sob o aspecto humano.
Conheci
Convivi
Trabalhei
Com as Classes mais desprotegidas
Do nosso  País.
Aí encontrei verdadeiros Homens.
Sem  cultura,
É certo,
Mas com o sentido
Do Trabalho
E do Dever,
Da Honra
E do Amor.
Identifiquei-me com Eles.
Também conheci
E convivi
Com seres,
Que de humano,
Só tinham a cultura
E a classificação zoológica.
Eram os bajuladores,
Os egoístas,
Os incapazes,
Os inaptos.
Os bem pagos.
A vida era dura
Mas eu tinha esperança
Em dias melhores.
Sonhava,
E acreditava
No Futuro,
De tal modo
Que...
Em sonhos ergui cidades,
Em sonhos fiz o que quis.
Derrubei muros,
Abri  prisões.
Em  sonhos,
Vivi  feliz.
Julguei-me num mundo novo.
Gritei de alegria.
Senti-me em Liberdade.
Amei.
Amei as coisas simples.
Na minha Cidade
Havia
Alegria
E LIBERDADE.
E havia PAZ
E havia AMOR.
Havia tudo o que lhe dei.
O pior,
Foi ... quando acordei.
Imagina pois, o que senti,
Quando chegou a Hora
Que julguei da Libertação.
Exultei de alegria.
E senti o cheiro da terra
E ouvi os rouxinóis
E  acreditei na Felicidade.
O trigo seria separado do joio.
As injustiças sociais
Seriam banidas por decreto.
Os parasitas iriam desaparecer
E acreditei,
(Pobre Louco)
Que
Quebradas as grilhetas
E quando sentimos
Ao sol de Abril
O cheiro da Primavera,
PORTUGAL voltaria a florir.
Queremos viver,
Trabalhar para o Futuro
Que nos espera.
Esquecer do passado,
A dor e a opressão,
Mas não,
A fome da Liberdade.
Vivamos de mãos dadas
Como irmãos,
Construindo a Verdade.
Pobre louco, repito.
Pouco durou a minha alegria,
A minha esperança
Numa Pátria Nova.
Os parasitas,
Os oportunistas,
Toda a gama de vermes,
Encontrou campo propício
Ao seu desenvolvimento.
Brotaram os “saneamentos”.
Também fui atingido.
E por indivíduos
A quem só me faltou parir
Para deles ser mãe.
Foram tempos difíceis.
Deixei de acreditar nos homens.
De sorrir,
De ouvir os rouxinóis.
Até que...
Um AMIGO
Meu Irmão,
Me trouxe
A um Jantar das Sextas-Feiras.
Aqui reencontrei
Velhos companheiros de Coimbra.
Aqui reencontrei
Sã camaradagem.
Aqui reencontrei
Amizade.
Aqui reencontrei
Amor.
E voltei a acreditar
Nos homens.
E voltei a sorrir.
E a acreditar
No Futuro
Dos meus Filhos.
E a ter gosto de Viver.
Voltei para ficar.
É pois por isto que te escrevo.
Não sei como dizer
A estes “Jovens” Companheiros,
(alguns com mais de 70 anos)
E à Delegação em Lisboa
Da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra
O meu muito obrigado.
Espero que o faças por mim.
Abraça-te o Amigo
Fernando Paula

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